OFICINA DA LUTA
oficina da luta
Esse espaço é direcionado a todos que curtem o mundo das Lutas.
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
POEMA DE GILGAMESH - livro Goshin a jornada interior
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
ARTIGO PUBLICADO (REVISTA EDUCACIONAL/2024)
OS IDEOGRAMAS NAS ARTES MARCIAIS: DESVENDANDO SIGNIFICADOS,
CULTIVANDO VALORES
O tema artes marciais
na escola está presente nos parâmetros curriculares nacionais, bem como na Base
Nacional Comum Curricular e outros documentos da rede pública de ensino. Essa
discussão vem crescendo cada vez mais, sendo o tema muito discutido no meio
acadêmico inclusive em cursos de graduação e pós-graduação em Educação Física,
portanto diversos fatores contribuem para que as artes marciais sejam conteúdos
abordados nas escolas. O objetivo deste artigo é chamar a atenção sobre a
importância dos significados dos ideogramas japoneses em um projeto escolar de
artes marciais, destacando não apenas os aspectos técnicos da prática das lutas,
mas também os valores culturais e filosóficos incorporados na linguagem dos
kanjis e refletir se a arte marcial tem sido abordada nas aulas de acordo com o
que é proposto nos documentos oficiais. Palavras-chave: Lutas; Educação Física
Escolar; Pedagogia; Aprendizagem.
O tema lutas e artes
marciais é muito amplo e pode ser abordado em muitas áreas principalmente nas
aulas de história e educação física, seja pela prática ou mesmo conhecendo a
sua filosofia e aplicando seus princípios de disciplina e autocontrole nas
questões cotidianas. A luta é considerada uma manifestação cultural presente
desde a antiguidade e transmitida de geração em geração. Por ser uma arte viva
está em constante transformação adquirindo traços peculiares dependendo da
época e do local onde foi desenvolvida. Não existem registros escritos precisos
sobre a origem das artes marciais, desde os tempos mais antigos o homem luta,
para sobreviver, para disputar territórios ou mesmo para se exercitar e por
diversão. É possível encontrar pinturas nas cavernas com cenas de lutas que
faziam parte do cotidiano dos povos da pré-história, também podemos encontrar a
luta presente nos escritos sagrados das diversas religiões, em vasos, na
literatura e outras formas de arte.
ARTE MARCIAL NOS DOCUMENTOS OFICIAIS Descrita tanto na Base
Nacional Comum Curricular (BNCC) como nos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN) as lutas devem ser inseridas nas aulas de educação física escolar, sendo
que arte marcial pode ser considerada um conteúdo importante no cenário escolar,
pois visa preparar um cidadão crítico e solidário nos diversos momentos da
vida, por auxiliar o aluno para conviver em sociedade, aprendendo a manter o
controle do seu corpo e da sua mente. Os Parâmetros Curriculares Nacionais
(1998) definem lutas como disputas em que o oponente deve ser subjugado,
mediante técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou
exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa.
Caracterizam-se por uma regulamentação específica, a fim de punir atitudes de
violência e de deslealdade. No mesmo documento são citados como exemplo de
lutas as brincadeiras de cabo-de guerra e braço-de-ferro até as práticas mais
complexas da capoeira, do judô e do karatê. (BRASIL. Secretaria de Educação
Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física. Secretaria de
Educação Fundamental. Brasília: MEC /SEF, 1998. 114 p.) De acordo com a BNCC,
as lutas compõem o repertório de práticas corporais a serem abordadas ao longo
das aulas de Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A unidade
temática “lutas” focaliza as disputas corporais, nas quais os participantes
empregam técnicas, táticas e estratégias específicas para imobilizar,
desequilibrar, atingir ou excluir o oponente de um determinado espaço,
combinando ações de ataque e defesa dirigidas ao corpo do adversário. Dessa
forma, além das lutas presentes no contexto comunitário e regional, podem ser
tratadas lutas. As lutas podem ser estudadas na escola dentro das aulas de
educação física ou mesmo em projetos interdisciplinares no contra turno,
importante salientar que os projetos devem apresentar a arte marcial dentro das
três dimensões: Conceitual, Procedimental e Atitudinal. Essas três dimensões
estejam divididas, para melhor compreensão, na sua pratica estão conectadas não
sendo possível apresenta-las de forma separada.
OS IDEOGRAMAS Nesse artigo em especial, o tema ideogramas
pode ser considerado pertencente a dimensão conceitual da arte. A dimensão conceitual
é aquela que dará sentido a prática, permitindo que os alunos possam refletir
diversas questões desde como surgiram as diversas formas de luta, quais as
necessidades dos homens em cada época bem como como a luta evoluiu de um
simples confronto de sobrevivência a arte marcial que temos hoje. Conforme
argumenta Neuenfeldt (2008, p. 153): [...] os alunos necessitam adquirir
conhecimentos, não apenas de como fazerem exercícios físicos, de como
praticarem esportes, mas de serem capazes de entender e analisar sua condição
de sujeito cultural e histórico, numa sociedade que possui uma cultura de
movimento da qual ele faz parte. Os kanjis são símbolos japoneses adquiridos
através da China utilizados na escrita por alguns também chamados de ideograma
eles são caracteres que carregam ideias e muitas vezes representam conceitos
abstratos com mais de uma interpretação. Portando a caligrafia para os
japoneses é como uma forma de arte. Através de único símbolo podemos expressar
muitas ideias e conceitos sendo que uma única interpretação não daria conta de
todos os significados. Estudar os significados dos ideogramas japoneses pode
ser uma parte interessante e enriquecedora do ensino de artes marciais na
escola, especialmente se as artes marciais têm raízes japonesas, como o Judô,
Karatê, Aikido, entre outras. Existem várias razões pelas quais isso pode ser
benéfico, a compreensão dos ideogramas japoneses ajuda os alunos a se
conectarem com a cultura das artes marciais. Isso pode aumentar a apreciação e
o respeito pela cultura japonesa, bem como a história e a tradição das artes
marciais. Muitos ideogramas japoneses têm significados profundos e filosóficos.
Por exemplo, os caracteres que compõem palavras e frases usadas nas artes
marciais frequentemente se relacionam com conceitos como respeito, disciplina,
perseverança, harmonia e auto aperfeiçoamento. Compreender esses significados
pode ajudar os alunos a incorporar esses valores em sua prática. O ideograma
japonês também pode enriquecer o vocabulário dos alunos, permitindo que eles
compreendam melhor os termos técnicos e os princípios subjacentes das artes
marciais. Um ponto de partida para a análise dos ideogramas poderia ser estudar
os ideogramas japoneses que formam o nome das lutas por exemplo Judô. Uma das primeiras
coisas que me chamam atenção ao pensar em origem de algo, é em sua análise
etimológica. Principalmente em termos de arte marcial, esse sempre me pareceu
um caminho nada mais que lógico. Pensemos assim: já que cada estilo de arte
marcial foi criado por alguém, alguém criou um nome para identificar o estilo
de luta que havia criado, ou seja, este é o momento em que o próprio autor
percebe a inovação daquilo que criou. (Gustavo Goulart no artigo “Jiu Jitsu ou
Jujutsu? A raiz da palavra”)
OS IDEOGRAMAS DA
PALAVRA JUDÔ: O termo JUDÔ é formado por
dois ideogramas JU (suavidade/flexibilidade) e DO (caminho) formando Caminho da
Suavidade. SUAVIDADE “O ideograma JU provavelmente deriva de uma passagem no
antigo tratado militar chinês, o San-Lue (San Ryaku em japonês), que remonta ao
período chinês da primavera e do outono (722-481 a.C.). A passagem em questão
declara "Ju yoku sei go"(柔能制刚 ) ou "A suavidade controla bem a dureza". Isso deu
origem à ideia popular de que, para derrotar uma força mais forte, uma força
mais fraca nunca deveria tentar usar resistência. Quando aplicado ao agarrar em
combate próximo, isso significava que a força mais fraca deveria se submeter a
ser empurrada, a fim de anular a força de ataque. Trabalhar a favor em vez de
contra uma força de ataque ajudará a desequilibrar um atacante e tenderá a
fazê-lo cair. ” (Serge Mol, Classical Fighting Arts of Japan) O JU ou JIU
conforme a pronúncia de determinados lugares. Tem como tradução Suavidade. A
suavidade é um conceito que carrega o sentido de fluidez, adaptação ou
flexibilidade. O ideograma "Ju" (柔) nas
artes marciais japonesas é comumente traduzido como "suavidade" ou
"flexibilidade". Segundo alguns tradutores e estudiosos esse kanji é
oriundo de um pictograma antigo que representa o broto de uma árvore. A
interpretação de "Ju" como um broto de uma planta é uma analogia
interessante que pode ser associada a vários significados dentro do contexto
das artes marciais. Aqui estão algumas maneiras de explorar essa metáfora:
Assim como um broto cresce gradualmente para se tornar uma árvore, a prática do
princípio da suavidade nas artes marciais envolve um desenvolvimento contínuo
ao longo do tempo. A suavidade não é algo instantâneo, mas um processo de
crescimento constante. Apesar de ser delicado, possui uma resistência interna.
Da mesma forma, a suavidade nas artes marciais não significa fraqueza, mas a
capacidade de lidar com a resistência de maneira controlada e eficaz. O broto
se adapta às condições ao seu redor para crescer. Da mesma forma, a suavidade a
arte envolve a capacidade de se adaptar às circunstâncias, fluindo com a
energia em vez de resistir rigidamente. A pequena planta contém o potencial
para se tornar uma árvore robusta. "Ju" sugere que a suavidade não é
apenas uma qualidade passiva, mas pode ser uma fonte de força e poder quando
usada adequadamente. O crescimento ainda pode ser associado ao conceito de
"movimento não intencional" ou "não resistência". Da mesma
forma, a suavidade muitas vezes envolve a ausência de resistência direta,
permitindo que a energia flua de maneira natural, em consonância com o ritmo da
vida. Ao incorporar essa metáfora “do crescimento do Broto” em nossas reflexões
sobre o ideograma "Ju”, podemos destacar como a suavidade nas artes
marciais não apenas representa uma técnica de movimento, mas também uma abordagem
filosófica que abraça o crescimento, a adaptação e a harmonia com o ambiente ao
redor. Podendo desta forma carregar o sentido do desenvolvimento que não é algo
acelerado ou forçado. Obedece a uma lei maior, a planta obedece ao ritmo que a
natureza impõe, ela cresce em direção à luz de forma lenta, silenciosa, porém
constante, se desviando dos obstáculos. Que impedem o seu crescimento em
direção à luz. Diz a lenda que o princípio da suavidade foi proposto por um
médico oriental. Que durante um período de sua vida estava muito desanimado e
não via sentido para sua vida E o trabalho? Algo parecido com o que hoje
chamamos de platô. Um período de baixa produtividade em que perdemos o foco e o
sentido do nosso existir. Esse médico decidiu então, dar um tempo e abandonar
tudo para repensar seu propósito de vida e a estudar os princípios da dualidade
Taichi, o Yin Yang. E durante esse afastamento, um dia observando a natureza em
uma tarde de tempestade, notou que os fortes ramos da cerejeira quebravam com
os golpes da tempestade, enquanto os ramos do Salgueiro se dobravam e dessa
maneira, não se danificavam. Dessa observação surgiu a escola coração do
Salgueiro ou espírito do Salgueiro, que defende como podemos ver, o princípio
da suavidade que foi proposto através de uma minuciosa observação dos fenômenos
naturais. A água, uma tempestade, ramos rígidos e flexíveis de uma árvore.
Portanto, o ideograma “Ju” semelhante ao broto de uma planta, representa muito
bem a força presente na natureza, chegando a comparar o broto com a ponta de
uma lança, graças à sua capacidade de penetração. A terra é incapaz de deter o
crescimento da plantinha.
CAMINHO O caminho, DO em japonês ou TAO em chinês possuem o
mesmo kanji e significados semelhantes. O ideograma DO é formado por dois
símbolos que nos remetem a duas figuras: uma cabeça e um pé ou uma pegada como
preferir. A cabeça e pé transmitem as seguintes interpretações, o pé indicando
um movimento, o caminhar, o deslocamento ou ainda progresso e a cabeça
caminhando junto analisando, refletindo sobre o caminhar. O pé e a cabeça vão
nos indicar a dualidade presente na arte marcial, sendo o pé ligado ao chão, a
terra, a parte material ao mundo físico a luta nada mais é do que uma das
formas de educar o corpo e a mente, cabeça presente no ideograma indica a
ligação da arte ao mundo das ideias, do pensamento da análise. Em linhas gerais
o caminho é uma experiência ao mesmo tempo prática e teórica não podemos
separar a cabeça do corpo a arte marcial somente poderá ser plenamente compreendida
através da prática e do tempo através da ação e da reflexão. É importante
salientar a respeito do sentido amplo do caminho, sabemos que os três grandes
mestres do budo, Kano, Funakoshi e Ueshiba estudaram profundamente os clássicos
chineses e dessa forma a filosofia taoísta influenciou profundamente a
interpretação do caminho para esses mestres, então vamos refletir alguns pontos
a respeito do caminho. “O Tao que pode ser explicado com palavras não é o
verdadeiro Tao. ” Tao te ching De todos os conceitos presentes na arte marcial,
o mais complexo e difícil de explicar é o caminho. É um conceito tão abrangente
que se torna quase impossível defini-lo em palavras, pois vai além da linguagem
e se insere na vivência de cada um. O caminho é uma jornada, uma trajetória,
uma experiência que nos transforma ao longo do percurso, nos desafiando a
crescer e a evoluir. É um processo contínuo de ação e reflexão, de prática e
pensamento, que nos conduz a uma compreensão mais profunda de nós mesmos e do
mundo ao nosso redor. Portanto qualquer esforço humano para explicar o infinito
seria pura perda de tempo, o caminho não pode ser explicado ele deve ser
percorrido é uma experiência vivenciada é impossível para o homem explicar a
vida de fora para dentro porque ele é parte da vida, seria como uma Formiga
tentando entender uma Floresta, ela seria capaz somente de percorrer essa
Floresta. Uma outra definição interessante do caminho é essa: o caminho é a
jornada aquele que caminha e o próprio verbo caminhar, por essa explicação
podemos notar que o caminhante é parte do caminho, porém o caminho vai muito
além do caminhante. “Eu tive várias razões para não usar o termo jujútsu, que
descrevia o que era praticado antes e optar pelo termo JUDÔ. A razão principal
é que DO (caminho) é o foco principal do que é ensinado pela Kodokan, enquanto
jutsu técnica é algo secundário. Eu queria tornar claro que o Judô é uma
maneira de se buscar o DO (o Caminho) “ Jigoro Kano livro Energia Mental e
Física – Editora Pensamento/2008. Para os antigos mestres orientais, a vida
poderia ser comparada a uma viagem, uma jornada, uma trajetória. O caminho,
então, seria utilizado como uma metáfora da própria maneira de viver.
CONSIDERAÇÕES FINAIS A incorporação dos ideogramas japoneses
em projetos escolares de artes marciais apresenta uma oportunidade única de
explorar não apenas os aspectos técnicos da prática, mas também os valores
culturais e filosóficos intrínsecos às artes marciais. Nesse contexto, os
ideogramas "Ju" e "Do" do Judô desempenham um papel
significativo na compreensão mais profunda dessa prática milenar. O ideograma
"Ju," associado à suavidade e flexibilidade, não apenas define a
técnica física, mas também carrega consigo uma rica metáfora de crescimento e
adaptação. Através da semelhança do princípio “Ju” com um broto de uma árvore,
percebemos que a suavidade nas artes marciais não é apenas uma habilidade
física, mas um princípio filosófico que se assemelha ao desenvolvimento gradual
de uma planta em direção à luz. A paciência, a resistência interna e a
capacidade de se adaptar são conceitos presentes nessa interpretação. Por outro
lado, o ideograma "Do," que significa caminho, transcende a mera
jornada física. Ele incorpora uma dualidade intrínseca, representando a ligação
entre a prática física e a reflexão mental. O caminho, como sugerido pelos
grandes mestres, é uma jornada de transformação contínua, uma experiência que
se revela por meio da prática e da reflexão simultâneas. A dualidade do pé e da
cabeça reflete a conexão íntima entre a parte física da luta e o pensamento
estratégico. Ao trazer esses ideogramas para a sala de aula, os educadores têm
a oportunidade de enriquecer o entendimento dos alunos sobre as artes marciais,
incorporando elementos culturais e filosóficos. Compreender os significados dos
ideogramas não apenas fortalece a conexão com a cultura japonesa, mas também
promove a internalização dos valores essenciais, como respeito, disciplina e
auto aperfeiçoamento. A arte marcial vai além da prática física; ela se torna
uma ferramenta para o desenvolvimento integral do indivíduo. A suavidade e o
caminho, representados pelos ideogramas, oferecem uma visão holística da
prática, incentivando os alunos a não apenas dominarem as técnicas, mas também
a incorporarem os princípios fundamentais em suas vidas diárias. Ao final, o
projeto escolar de artes marciais, com foco nos ideogramas, destaca-se como uma
abordagem educacional que transcende os limites físicos do tatame, proporcionando
uma experiência enriquecedora que se estende para além das habilidades
técnicas, transformando-se em uma jornada de crescimento pessoal e cultural.
Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular.
Brasília: MEC/SEB, 2017. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
curriculares nacionais: Educação Física. Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília: MEC /SEF, 1998. 114 p. SIMPKINS, C. A.; SIMPKINS, A.M. Confucianism
and the asian martial traditions. Journal of Asian Marcial Arts, v. 16, n. 1,
2007. Ferreira HS. As lutas na educação física escolar. Fortaleza – CE. Revista
EF. 2006; 4(135):36-44. Três Mestres do Budo - John Stevens (Autor). Editora
Cultrix Eico Suzuki O pai da Educação Integral e o universo do Judô /– Ed, Luz
e Silva/SP Stanlei Virgilio, A arte do Judô / Campinas SP, Ed. Papirus 1986. KI
E O Caminho das Artes Marciais: KI E O Caminho das Artes Marciais 2012 por
Kenji Tokitsu (Autor) Marcelo Rosseto, Derli Juliano Neuenfeldt O ENSINO DE ARTES
MARCIAIS PARA CRIANÇAS: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA UNIVATES, revista Jigoro Kano
livro Energia Mental e Física – Editora Pensamento/2008. Gustavo Goulart
https://www.budokast.com.br/post/jiu-jitsu-ou-jujutsu-a-raiz-da palavra.
ACESSO: 01/01/2024 DARIDO, S. C. Os Conteúdos da Educação Física na escola. In
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. (Coord.). Educação Física na escola:
implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
NEUENFELDT, Derli Juliano. Esporte, Educação Física e Formação Profissional.
Lajeado: UNIVATES, 2008 Anízio A.S. Júnior
Revista SL Educacional, São Paulo, v. 6, n. 01, p. 1-283,
janeiro. 2024 105
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
O CAMINHO COMO METÁFORA DA VIDA - A JORNADA DO BUDÔ
Quando queremos explicar algo profundo ou difícil de
entender, muitas vezes usamos imagens conhecidas. É aí que entra a metáfora.
Metáfora é uma forma de explicar uma coisa usando outra,
mais simples e familiar.
Não é uma explicação literal, é simbólica.
Por exemplo: Dizer que alguém está “carregando um peso” não
significa, necessariamente, um peso físico, mas problemas, dores ou
responsabilidades.
Dizer que alguém “encontrou a luz” não quer dizer que acendeu
uma lâmpada, mas que passou a entender melhor a vida.
A metáfora traduz o invisível em algo visível.
Quando falamos que a vida é um caminho, não estamos dizendo
que ela é uma estrada de asfalto. Estamos usando uma metáfora poderosa para
falar da existência humana.
Pense bem: Todo caminho tem um começo. Tem escolhas de
direção. Tem subidas e descidas. Tem obstáculos, desvios e atalhos. Às vezes
andamos acompanhados, às vezes sozinhos.
E todo caminho leva a algum destino
Assim também é a vida.
Desde o nascimento, estamos caminhando. Cada decisão que
tomamos é como uma encruzilhada. Algumas escolhas facilitam o trajeto, outras
tornam o percurso mais difícil. Há momentos de cansaço, momentos de alegria e
momentos em que precisamos parar, refletir e recomeçar.
O sentido profundo do caminho
O caminho não fala apenas de onde queremos chegar, mas de
quem nos tornamos enquanto caminhamos.
Duas pessoas podem estar indo para o mesmo lugar, mas
vivendo experiências completamente diferentes, dependendo das escolhas, da
postura e da consciência que têm durante o percurso.
Por isso, falar de caminho é falar de: Aprendizado e Transformação
A vida não é algo pronto. Ela se constrói passo a passo.
A metáfora do caminho nos lembra que: A vida não é estática
e ninguém fica parado, sempre estamos em movimento, mesmo quando não percebemos
E mais importante: não somos apenas passageiros da vida,
somos caminhantes. Cada passo conta. Cada escolha molda quem somos e quem nos
tornaremos.
Entender a vida como um caminho nos convida a caminhar com
mais atenção, mais consciência e mais sentido.
Nas artes marciais, os grandes mestres do Budo trocaram o
termo Jutsu (arte) pelo sufixo Dō que é traduzido como Caminho. Esse detalhe é
muito importante. Porque quando nos referimos a Judô, Karatê-dō ou Aikidô, não
estamos falando apenas de luta ou técnica, mas de uma forma de viver.
O caminho não é um lugar onde se chega. É algo que se
percorre todos os dias. Assim como na vida, ninguém acorda pronto. A gente
treina, erra, aprende, cai e levanta. O valor não está em ser perfeito, mas em
continuar caminhando.
Dentro do tatame, o adversário não serve apenas para ser
vencido. Ele revela quem somos: nossos medos, nossa pressa, nosso ego. Fora
dele, a vida faz o mesmo. As dificuldades aparecem não para nos destruir, mas
para mostrar onde ainda precisamos crescer.
O Dō também ensina disciplina. À primeira vista, regras e
repetição parecem limites. Com o tempo, percebemos que elas trazem liberdade.
Quando temos direção, o caminho fica mais claro. Na vida, valores e princípios
cumprem esse papel.
Outro ponto importante é a união entre corpo, mente e
espírito. A técnica vazia não sustenta o caminho. Assim como viver sem
propósito enfraquece qualquer esforço. Caminhar no Dō é tentar alinhar o que fazemos
com o que pensamos e com quem somos.
Talvez a maior lição seja a humildade. Mesmo o mestre
continua sendo um aprendiz. Não existe fim no caminho. Crescer é manter a mente
aberta, aprender sempre e seguir com respeito.
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segunda-feira, 31 de julho de 2023
IDEOGRAMAS DA PALAVRA "KARATÊ"
A algum tempo tenho estudado sobre os ideogramas que formam as artes marciais japonesas BUDÔ.
Achei muito interessante o artigo desse autor que vou transcrever abaixo com a devida referência:
OS PIONEIROS DO TODE/KARATE (MÃO CHINESA)
FROSI, Tiago Oviedo. Porto Alegre:
A maioria das pessoas quando inicia o treinamento do Karate-Dō,
do Judō, do Aikidō ou de qualquer outra arte marcial japonesa (Budō) se
pergunta o que essas palavras do idioma nipônico significam. Quando pesquisamos
na internet ou mesmo em muitos livros (incluindo aí obras importantes como os
volumes de Nakayama sensei), encontramos a tradução Karate = Mãos Vazias. De
fato o primeiro ideograma (Kanji) para Karate é Kara (空), a Vazio, e tem muitos usos. Um dos usos é a designação de um
espaço vazio comum, uma vaga de estacionamento livre, por exemplo. Porém é
também usado na Filosofia Oriental, especialmente no Budismo, como designação
para o mais profundo estágio e nível da Consciência ou da Totalidade, o Anel do
Vazio ou Kuurin (空輪). Quando escreveu os livros Karate-Dō
Kyohan e KarateDō Nyumon, na primeira metade do século XX, Funakoshi Gichin sensei
deixou bem claro que era a esse “Vazio Espiritual” que se referia, afirmando
entre outras coisas que, para alcançar o verdadeiro domínio da arte, o karateka
precisava livrar-se dos desejos, dos apegos e das suas limitações internas.
Estava diretamente influenciado pela filosofia budista. No Ocidente, a
Psicologia chamou esse processo de “integração da Sombra”. Este é, portanto, a
primeira razão pela qual não devemos pensar em Karate como mãos vazias ou livre
de armas, como muitos propõem.
O próprio Funakoshi sensei nesses livros refuta esse
significado. Ao entrar no tópico de que Karate é a “arte das mãos vazias”, em
que não se usam armas, caímos na segunda questão: não se usa mesmo nenhuma arma
no treinamento de Karate-Dō? Ora, usa-se! São as armas tradicionais do Okinawa
Kobudo, também usadas na China e, conforme os mitos, inspiradas nas ferramentas
rurais. Quando começou a lecionar no Japão, Funakoshi sensei ensinava o uso do Bo
(bastão longo) e Sai (gancho de três pontas, ou ancinho), além de usar outros
equipamentos relacionados às práticas com armas que são as ferramentas de
enrijecimento corporal (Tanren). Por razões políticas (o Japão já tinha seu
Kobudo, que empregava a Katana, a Naginata, o Kyu, o Yari e outras armas), a Nihon
Karate Kyokai (depois JKA) excluiu o treinamento com armas dos currículos do Karate
e passou a defender a tradução do nome “Mãos Vazias” associado ao não uso de
armas. Mesmo com essa jogada que dominou a mente de muitos praticantes por
anos, outros estilos como Goju-ryu, Shito-ryu, Ryueiryu e muitos outros, além
de dissidências dentro do próprio Shōtōkan, mantiveram o treinamento de Kobudo (Caminho
das Armas Antigas) associado ao Karate-Dō. Sendo assim, para defender tanto a
memória do trabalho de Funakoshi sensei quanto os fundamentos vitais do Karate original,
há muitos anos venho defendendo que se abandone a tradução “mãos vazias” e passemos
para a tradução mais adequada “Caminho das Mãos do Vazio”. Essa tradução nos
lembra que trilhamos uma senda (Dō) em que, através do aperfeiçoamento de nosso
corpo, de nossas mãos e técnicas (Te), chegaremos à evolução de nosso caráter e
também avançaremos espiritualmente, pois temos uma meta, que é nos aproximarmos
desse Vazio (Kara). A mensagem por trás da mudança do nome Karate (唐手 = mãos dos Tang/China) para Karate-Dō (空手道 – Caminho das Mãos do Vazio) pretende sugerirnos que
trilhemos um caminho integral, desenvolvendo corpo, mente e espírito, dentro da
tradição japonesa do Budō
domingo, 12 de junho de 2022
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
O QUE É OFICINA DA LUTA ?
![]() |
| BRUCE LEE - uma das nossas inspirações |
sexta-feira, 24 de julho de 2020
MANIFESTO - OFICINA DA LUTA
da Matemática: _ Rapaz ou você vê a floresta ou você vê a arvore! Ou seja, em enxergar o Todo ou as partes uma a uma. Ela queria dizer que poderia passar o ano todo ensinando por exemplo “Frações” e não esgotaria o assunto, mas onde ficariam as equações, as formas geométricas , os gráficos , a Probabilidade, Porcentagem,
JUJUTSU era um nome genérico para diversas formas de lutar no Japão antigo, existiam então centenas de escolas diferentes , com sistemas diferentes porém com um mesmo nome jujutsu, o mesmo podemos dizer do KUNG FU um nome genérico para diversos estilos de luta chineses, sendo que existem inclusive estilos que são praticados por famílias no quintal de casa . Alguns tempos atrás o saudoso mestre Naja disse em entrevista que quando morou na Tailandia observou que o ensino de Muay Thai era realizada em pequenas células . Uma disputa na justiça pela marca Krav Maga chegou a seguinte sentença que krav maga é traduzido como defesa pessoal portanto ninguém possui como marca.
Descentralização Talvez aí esteja o ponto mais polêmico do meu texto. Vou apelar o tempo todo para o princípio da dualidade, lembrando que um grande perigo é o de tomarmos um determinado partido ou se tornar radical defendendo com fanatismo um lado em detrimento do outro.
Até que ponto podemos seguir um
caminho totalmente independente dentro da nossa arte marcial?
Se por um lado ninguém consegue
praticar arte marcial sozinho porque sempre precisamos do outro para aprender,
para treinar e até mesmo para competir para ver em que nível nós estamos
enquanto eficiência, por um outro lado o último degrau de evolução dentro da
arte é o da “liberdade” ou “RI” (separação), assumindo o seu estilo pessoal.
Um dos grandes debates dos dias
atuais dentro da Internet é sobre a existência das Federações e Confederações, onde
a questão principal é: DEVO ME FEDERAR? Ou ainda, QUAL É O MEU PRINCIPAL
OBJETIVO EM ME FEDERAR?
Bom vamos começar analisando a função
da federação (e consequentemente das confederações). As principais finalidades
de uma federação seria a divulgação do esporte, sua organização e a promoção de
eventos e campeonatos. Até aí sem problemas, porém vamos lembrar que não existe
uma única confederação, vou tomar como exemplo o Jiu Jitsu, em se tratando de
Confederação temos: CBJJ, CBJJE, CBJJO, CBJJD, CBJJP, CBJJT, CBJJ&J e
outras que desconheço. Federações então dezenas. Que pelo conflito de
interesses, não existe consenso entre as entidades e a realização de torneios
independentes e periódicos não preveem uma disputa para unificação de títulos.
Existem questionamentos sobre as cifras arrecadadas com a realização de
campeonatos, onde não se demonstra investimento no crescimento do esporte, já
que seria uma obrigação das federações, segundo os estatutos.
Agora vamos supor que existisse
somente uma única Confederação, nesse caso, poderia surgir um outro problema,
sendo ela “única” poderia se tornar arbitraria ou mesmo autoritária e não mais
atender ao interesse coletivo. Ou mesmo se associar politicamente com pessoas
com má intenção.
Você consegue perceber como é complicada essa
questão???
Ao mesmo tempo que precisamos
competir ou mesmo entrar em contato com outras escolas, a nossa escola muitas
vezes prioriza valores diferentes das demais escolas.
Imagine campeonatos que terminam em
palavrões ou mesmo em pancadarias o prejuízo que causa para um DOJO por exemplo
que tem o ensino voltado para crianças.
Portanto volto a declarar que existem
escolas para todos os gostos e para todos os bolsos. Devemos então quando
buscar uma escola ter muito bem definido qual é o nosso objetivo: quero
competir, desejo me tornar um campeão mundial? Ou apenas quero treinar para me
exercitar e ter uma qualidade de vida, por recreação, ou ainda, para buscar
pertencimento a um grupo que compartilha
um mesmo estilo de vida, atividades e interesses similares. Tudo isso
deve ser considerado.
E a escola também definir qual tipo
de pessoa ela quer agregar. Isso deve ser muito bem conversado.
Pesquise na Internet sobre os tipos atuais
de Jiu Jitsu (Old School, New School, American JJ, BJJ, Gracie JJ,
Tradicional, e muitos outros menores) se você acha pouco saiba que no Japão
antigo existiam mais que 700. Ou mesmo que nos anos 80 e 90 cada esquina tinha
um estilo de Karatê diferentes em tudo.
Acredito que a arte marcial por ser
muito ampla vai conseguir abarcar todos os tipos de interesses no futuro.
Por esse motivo eu alertei no início
que estávamos diante de uma DUALIDADE, da mesma forma que precisamos ter
contato com outras escolas para compararmos ou mesmos testarmos nossos
conhecimentos, por outro lado precisamos nos distanciar para defender nossos
valores e prioridades, precisamos das confederações desde que elas não se
tornem autoritárias ou abusivas.
Necessitamos dos nossos mestres mas devemos
nos lembrar de um princípio importante do Budô que é o:
SHUHARI
Shuhari significa:
Shu ou Obedecer: esse é o momento em que o aprendiz precisa ser humilde e
robótico, e obedecer quais são os principais pontos que devem ser seguidos
(também conhecidos como regras). É quando ele precisa repetir o que o mestre
diz sem utilizar muito do pensamento crítico durante o processo. É o foco em
seguir cegamente técnicas validadas.
Ha ou Desviar: nesse segundo momento, o aluno passa a quebrar
pouco a pouco as regras anteriores, ainda com o resultado final em mente. É o
momento em que a teoria e o conhecimento passam a desafiar as técnicas, e os
princípios passam a ser o diferencial para a evolução do conhecimento.
Ri ou Separar: nesse momento não existem mais técnicas, princípios ou
conhecimento útil que não venham de fora da mente. A partir de agora, as
atividades são executadas de forma natural, a evolução dos processos e do
conhecimento surgem do indivíduo e temos inovação e quebra de paradigmas.
28.09.2020
A oficina da luta é conceitual, ela é uma ideia, não se trata
de uma instituição, não temos sede fixa, estatutos, funcionários etc. O encontro
de pessoas que curte arte marcial, a troca de conhecimento, as parcerias, e a
discussão de temas é que formam isso que chamamos de Oficina. O movimento surgiu
por volta do ano de 2010, de maneira quase espontânea, em um momento em que um
grupo de educadores resolveu criar um movimento cultural que envolvesse a
criação de Cineclube, Grupos de Teatro e Danças, Cafés Filosóficos, Feiras
Literárias e outras manifestações locais , dentro deste caldeirão cultural que
estava se formando pediram ao Prof. Anízio Jr que apresentasse uma proposta envolvendo
a Arte Marcial , oportunidade em que apresentou um conjunto de ideias que
acabou na formação da iniciativa “oficina da luta” que tinha como proposta principal aproximar as pessoas ao universo das artes
marciais, através de treinos, pesquisas, palestras, laboratórios, encontros,
apresentações, produção de textos , franzines, e disponibilização de material
na internet.
Desde que surgiu a oficina assumiu diversas formas até chegar
ao formato atual. A princípio expressando sua visão sobre as lutas, em
fanzines, e desenvolvendo seus encontros e treinamentos em igrejas, clubes, espaços
culturais, escolas e salões da prefeitura. Até 2019 não teve uma sede fixa.
A oficina da luta se dedica a praticar livremente e de
maneira eclética todos os tipos de técnicas de autodefesa, contando atualmente com
vários colaboradores de diversas modalidades de lutas, ensinando e aprendendo
diversos estilos e formas diferentes. Com total liberdade para trocar
experiências, livre de amarras chamadas de "estilos".
Não possuimos nenhuma linhagem clássica ou hierárquica, apresentamos uma estrutura descentralizada, horizontal, sem chefe ou estatutos escritos. Nosso objetivo principal é formar uma grande comunidade de pessoas com ideias
semelhantes se ajudando através da troca de conhecimentos, sempre buscando
mecanismos para que as pessoas se conectem e construam relacionamentos
saudáveis com base na amizade, treinamento e respeito mútuo,
independentemente da categoria na faixa.
Apesar de se considerar um Grupo Independente, sem levantar
bandeira de nenhuma equipe ou ideologia, com autonomia nas tomadas de decisões
e livres de qualquer influência, atualmente tem seu trabalho reconhecido por várias
Comunidades Marciais e Associações recebendo diversos selos e certificados.





















